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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Fim de Semana de Carnaval por Arouca, Serra da Freita e São Macário...

Foi um fim-de-semana prolongado que merece um relato no meu blog. Não conhecia Arouca e a Serra da Freita, mas desde que vivo no Porto que me falam delas. A oito dias do fim-de-semana do Carnaval, em família, lá decidimos passar o fim-de-semana na Quinta de Novais e a tentar conhecer um pouco da região de Arouca.

Com estou numa fase de grande obsessão pelas corridas e pelo BTT, levei comigo a minha bicicleta e arranjei o contacto do irmão de uma vizinha minha que lá vivia, e que também era BTTista (gente que me foi maravilhosa... e que tenho vontade de rever).

Dia 0 (zero) foi para adaptação ao clima, à altitude :) e, principalmente, ao "fazer pouco"... Combinei o passeio de BTT para o dia seguinte e fomos jantar vitela assada, arouquesa... É o tipo de alimentação em que tive que abrir uma excepção. Como já é hábito, dormimos cedo e, na manhã seguinte,
eu estava a conhecer a região noroeste de Arouca, pelos trilhos (mas de BTT)... Excelente passeio, com malta do Centro Juvenil Salesiano de Arouca, com fortes subidas e descidas bem rápidas.

Nessa manhã, o resto da família foi visitar o Convento e, ao almoço, tive a história da Santa Mafalda, que antes de ser santa viu o seu casamento com o Rei de Castela não consumado... e assim foi parar a este convento, fino!

Foi depois da sesta que acedemos à vista interminável do alto da Serra da Freita. Ainda fomos a tempo de ver as pedras parideiras, na aldeia de Castanheira e, do alto do miradouro, a cascata da Mizarela. Uns dias depois voltariamos para a tentativa de caminhar até á Fresta da Mizarela. A vontade ficou logo nesse dia, pelo esplendor a que acedemos.

No dia 2 tínhamos previsto ir ao monte de São Pedro, mas ficámos apenas pelo de São Macário. Com São Pedro do Sul ali tão perto, passámos pelo tenebroso Portal do Inferno e, do cimo do monte, ainda vimos a aldeia (abandonada) de Drave. Não fomos lá abaixo porque o passeio já ia longo e pretendíamos ir a Alvarenga experimentar os "conhecidos" bifes (outra excepção:)). Neste percurso, optámos por largar o asfalto e, apesar de um ou outro equivoco, rapidamente chegámos a Alvarenga. Pelo caminho ainda passámos por Ragoufe e pela impressionante paisagem com o Rio Paiva em Meitriz ... onde apetecia ficar para sempre...

O último dia, foi dia de corrida (24 Km ... acho que pesaram os abusos de carne e doces... sim, Arouca é terra de doçaria bem puchada!!!). No entanto, às 10 horas já estava com o banho tomado e pequeno almoço enfardado. Em família, fomos dali para a caminhada até à Fresta da Mizarela. Não chagámos lá, mas passeámos numa paisagem fantástica, bem próximo do fundo do vale. O Xande trepava pedras, excitado com tanto verde, ar, terra, bem estar...

quarta-feira, 23 de abril de 2008

O regresso...

Os 7º e 8º dia foram os dias do regresso a Portugal e ao Porto. No 7º dia fizemos o percurso Marrakech-Chefchouen, descontraidamente mas sem grandes distracções. Tínhamos que estar no dia seguinte de manhã a embarcar no ferry para a Europa. Impressionante a quantidade de crianças que vivem naquelas terras. No horário de saída (ou entrada) da escola, era uma massa de gente que não nos deixava indiferentes...

O embarque... acabou por ser possível apenas na tarde do 8º dia. Foi conturbadíssima a travessia da fronteira. Um polícia marroquino, enorme, depois da análise do meu passaporte (era o quarto carimbo de entrada/saída de Marrocos), revirou e completamente o meu Defender e inspeccionou obsessivamente todas as partes do carro que pudessem ser meio de transporte de droga, com o auxílio de uma chave de fendas. Até o depósito do óleo foi minuciosamente inspeccionado com uma lanterna... e no final olhava-me convencido que algo lhe tinha escapado. Os espanhóis olharam-me para tentar perceber o que dizia o meu rosto... e mandaram-me avançar.
Para além disso, ainda apanhámos uma avalanche de gente que de repente forçou a entrada descontrolada em Marrocos. Eram marroquinos que traziam compras de Ceuta... pela forma como vimos alguns a fugir da polícia, havia álcool naquelas bagagens.

Por fim, mais uma vez, estivemos horas à espera do ferry, desta vez, aparentemente porque chegámos 10 minutos depois das 12:30, e só tínhamos um novo barco às 15.

Fizemos o percurso inverso ao da ida (1º dia). Fez-se bem, ainda passámos por Trancoso onde a minha mãe nos deu o jantar. Eram já
3 horas da manhã quando beijei o meu filho que, meio a dormir, soltou um emocionado "papá... quase que me apanhavas a dormir", virou-se para o lado e continuou a dormir... no dia seguinte compensámos...

Curioso foi termos necessitado de dois depósitos mais 25 € (de gasóleo) para ir do Porto a Algeciras, e apenas dos dois depósitos para fazer Algeciras-Porto...

Por agora faço uma pausa na viagem... vou reunir-me com o meu companheiro e fazer as contas... são para publicar.

Abraços.


VER FOTOS DO REGRESSO

terça-feira, 22 de abril de 2008

6º Dia, a Pista de Telouet

6º Dia, a Pista de Telouet

Para mim foi uma repetição. Fiz esta pista em 2004, acompanhado pela minha mulher e mais rapaziada num Opel Frontera. Dessa minha primeira experiência ficou-me na memória o contraste com a pista da Garganta do Todra para a Garganta do Dades... (mais longa e difícil). Desta vez foi vivida como uma experiência de montanha, aproveitámos o percurso que tínhamos planeado para fazer este desvio e sentir a altura, o cruzamento de carros em espaços curtinhos e precipícios vertiginosos... Para mim, foi-me bastante agradável. Foi neste dia que percebi que nunca me senti tão bem nas minhas viagens a Marrocos como desta feita, senti-me calmo, seguro... mas isso são coisas minhas...

Na minha memória de 2004, estava ainda a travessia do Atlas a caminho de Marrakech, por estradas que serepenteavam a montanha, nessa data já noite avançada. Desta vez queria fazer esta travessia de dia... É mais uma série de imagens que valem tudo...

Lá estava o monte Tubkal... que atracção. O meu companheiro André, falava de o subir... e eu que tive um par de experiências de caminhadas em montanha (alpinismo), até tive vontade de as recuperar... aqui está mais um projecto. No ponto mais alto do nosso percurso por estrada (Tichka), resolvemos tomar um chá (já só tínhamos 6 MAD, mas não foi problema, deram-nos o chá pelo dinheiro que tínhamos). Conversámos com um local que nos disse ter subido o Tubkal com um grupo de portugueses... portugueses que “vinham a Marrocos procurar tesouros de tempos muito antigos”... ainda tenho esta a rebolar na minha cabeça.

Passámos pela Praça Jemaa El-Fna..., vimos as cobrinhas e o teatro... mas não era para isto que eu vinha a Marrocos (estava noutra: acabámos o dia a comer viande haché numa tasquinha na estrada para Al Jadida.).

VER FOTOS DO 6º DIA

segunda-feira, 21 de abril de 2008

5º Dia... O dia da travessia entre Merzuga e Zagora.

5º Dia... O dia da travessia entre Merzuga e Zagora.

Para mim, era a pista que tinha ficado por fazer nas anteriores viagens a Marrocos, e fui lá para a experimentar. Ainda em Merzuga fomos abordados por uns par de guias a quem na véspera dissemos que iríamos fazer esta pista sozinhos... Procuram avisar-nos (ou melhor, amedrontar-nos) do perigo que havia em nos perdermos e irmos parar à Argélia... Nós resolvemos avisá-los (ou melhor, amedrontá-los) do perigo que corria a profissão deles com os GPS ...
Começámos por fazer a parte inicial do percurso no (novo) asfalto até Taouz. Nesse percurso procurámos identificar a pista do “Parola”, marcada por antigos rodados e algumas pedras elevadas a sinalizá-la. Já em Taouz, entramos na pista e iniciámos a nossa aventura. O dia reservou-se cansativo e cheio de diferenças de paisagens, de cor, piso, tudo... imperdivel para qualquer aventureiro ou amante do TT. Tenho a sensação que todas as pessoas que conheço teriam prazer com esta pista (mesmo aqueles que têm gostos e interesses distintos dos meus). Na fase inicial estivémos muito próximo da fronteira com a Argélia, passávamos por em pistas em rios secos, havendo diferenças significativas entre a rota que nós seguimos e a que tínhamos gravada no GPS. Encontrámos algumas populações, numa delas
acabámos por deixar os materiais e roupas que tínhamos connosco (numa associação para o desenvolvimento local). Foi numa das últimas terrinhas que encontrámos um grupo de 5 motards espanhóis que faziam o mesmo percurso que nós. Estavam parados, movidos pelo conselho dos locais que refriam haver muito pó na travessia de um rio numa fase mais avançada da pista. Nós acabámos por seguir viagem, de facto encontrámos muito pó... mas nada de complicado... tudo corria lindamente e havia muito espaço para parar e contemplar a vastidão das paisagens... soberbas. Foi num destes momentos que passaram por nós os motards espanhóis. Mais à frente cruzámo-nos com dois ingleses, um Land Cruiser e um Patrol... Nos primeiros 100Km, havia albergues para receber os turistas... mas nós tínhamos planeado fazer o almoço no meio do nada. Pensamos em encontrar uma sombra... e 10 minutos depois, desistimos, parámos, fizemos o almoço e comemos...

Já próximos de Zagora, passámos novamente junto à fronteira com a Argélia, agora, num posto militar Marroquino e tudo. Veio receber-nos um militar (abrir uma cancela que impedia a passagem) e perguntou-nos se vinha mais algum carro, ao que dissemos que não. Mostrou surpresa por termos feito a pista sozinhos (eu e o André). Sabemos que é uma regra do TT fazer este tipo de actividades em grupo (mínimo 2 carros)... mas não foi possível... e bem tentámos encontrar parceiros. No entanto, de facto, fomos sozinhos para Marrocos fazer estas pistas porque tinhamos os tracks do Parola Gonçalves. Especificamente, este track deixou-me muito à vontade e, actualmente, estou convencido que há um fluxo significativo de transeuntes nesta pista, turistas é claro, que faz com que os riscos que corremos não sejam muito diferentes de alguns riscos que corremos no nosso Portugal, muito frequentemente (NOTA: não há rede de telemóvel)...
Quanto à “pista do Parola”, o meu colega André estava sempre a perguntar se estávamos na “pista do Parola”!!! Ele até poderia achar que era uma qualquer mineral da região, ou um herói local... mas não, ele sabia quem era o Parola.

Quanto aos leitores deste blog, aconselho-vos esta viagem, que mais não seja, só pela pista... uma pequena aventura emocionante, com paisagens impressionantes. Se leste isto... só perdes de ainda não estares a programar esta tua viagem para fazeres a pista Merzuga – Zagora... em 4X4.

VER FOTOS DO 5º DIA

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Inverosímil

Inverosímil
(Paulo Guedes, 2 Abril 2008)


O que me leva novamente a Marrocos?
Da primeira vez que lá fui, foram decisivas as histórias que o Rui (Pena) me contava sobre este país, tão perto de Portugal e ao mesmo tempo tão longe, nos seus muitos contrastes; sempre gostei de histórias, se possível de outros tempos e de outros mundos e foi isso que senti quando fui a primeira vez a Marrocos, senti um outro mundo, diferente, vivo e inverosímil.
Antes de me explicar deixem-me então partilhar uma história, também ela inverosímil e ainda muito viva: estávamos nas gargantas do Torda e, depois de um excelente repasto, dirigimo-nos para Agoudal (aldeia perdida no meio do alto Altas a cerca de 2400 metros de altitude); subíamos por uma estrada em terra e gravilha aberta nos flancos da montanha e que parecia nunca mais acabar; as paisagens eram fantásticas, mas o meu medo das alturas ainda o era mais; depois de ultrapassarmos o ponto mais alto em que estive de automóvel seguimos por uma estrada também ela de terra e gravilha que parecia um leito de rio seco e lá chegamos a Agoudal; era o final da tarde e os restos do pôr-do-sol iluminavam a vila – imaginem: nas montanhas, já a escurecer, as sombras projectando-se, a escuridão estendendo-se e Agoudal, ainda iluminada, amarela, viva, brilhante, inverosímil – é uma imagem que não me sai da cabeça; lá parámos, arranjámos um sítio, ligeiramente afastado do centro de Agoudal, mas que nos inspirava confiança, para montar as tendas; depois do jantar, feito por nós (viva a camping gás), queríamos telefonar à família; mas não tínhamos rede nos nossos telemóveis, o que nos levou a perguntar se haveria algum telefone que pudéssemos utilizar; informaram-nos que existia um telefone na aldeia; quando lá chegamos percebemos que era o único telefone que existia na aldeia; era religiosamente guardado por um agoudalense, que apontava os sagrados períodos num livro e que depois informava quanto se tinha que pagar; lá fomos nós para a fila e telefonamos às nossas famílias; dissemos que estamos no século XXI; mas o agoudalense não se acreditou. Foi também aí, em Marrocos, que percebi a noção de monopólio (comercial).
Marrocos é uma terra de contrastes: tem o 2º pico mais alto de África (a que espero subir um dia), tem cidades que nos recordam a Suiça como Ifrane, com as suas casas achalésadas; tem praias e uma linha costeira imensa; tem cidades ao mesmo tempo passadas e futuras (veja-se o caso de Fez, com a sua zona antiga e a sua zona nova) e tem o maior deserto do mundo - o Saara que de propósito ou a propósito quer dizer “terra que por ninguém passa”; é lá que vamos concentrar os nossos esforços nesta minha 2ª viagem e 4ª viagem do Rui.
E é isto que me leva novamente a Marrocos - sentir que há novos mundos aqui tão perto, e poder conhece-los. Sentir que estou seguro, mas que há aventura e adrenalina. E sobretudo poder partilhar mais uma história do deserto e da sua magia.